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Brasileira denuncia empresário boliviano por tráfico internacional de mulheres

08 setembro 2016 - 16h45

Uma jovem, de nacionalidade brasileira, que não teve o nome revelado, denunciou um empresário boliviano, conhecido por se dono de bares noturnos nas cidades de Santa Cruz de La Sierra e La Paz, como responsável pelo tráfico de mulheres estrangeiras para aquele país.

De acordo com as informações, a denúncia ocorreu na cidade de La Paz, e em depoimento à Polícia, na última terça-feira (06), a jovem relatou que foi para a Bolívia, com a promessa de trabalhar como modelo.

Mas, ao chegar em solos paceños, como também é conhecida La Paz, ela foi levada de imediato para uma casa, localizada no bairro Llojeta. Neste local, sua documentação foi tomada, começando assim, a exploração e os abusos.

Além disso, as pessoas que fizeram isso, acabaram repassando algumas regras para a moça, informando ainda, que ela estava devendo uma quantia de aproximadamente três mil dólares, por conta dos gastos da viagem, e que, se quisesse voltar ao Brasil, teria que quitar a divida.

Conforme o El Deber, que teve acesso aos depoimentos, a moça não foi a única a denunciar o empresário, onde em fevereiro, deste ano, a própria filha dele, conhecida como Nohemy Cámara, também resolveu apresentar queixas contra o pai, já que ela também teria sido vítima de exploração sexual, desde os 15 anos de idade.

“Eu trabalhei com meu pai obrigada, desde que tinha 15 anos. Ele falava que caso não colaborasse, algo poderia passar a minha mãe ou irmãos. Diante de tudo isso, presenciei o sofrimento de outras moças, causadas não apenas pelo meu pai, como também pelos seus funcionários que trabalhavam nos locais”, contou Nohemy.

Ainda conforme ela, muitas meninas choravam, “elas diziam ter sido enganadas e que foram trazidas ao país e ao chegarem, percebiam que tudo era uma farsa, sendo vítimas de terríveis abusos”, completou a filha do empresário.

Em contato com o administrador dos negócios do empresário na cidade de Santa Cruz de La Sierra,  Juan Carlos Aguilar, ele acabou dizendo que o chefe estaria fora do país, porém, sabe que Camara apenas constrói os locais noturnos, mas não costuma frequentá-los. “Perguntei para algumas meninas, mas ninguém o conhece pessoalmente”, disse.

Ele ainda acabou declarando que em relação às denúncias feitas pela filha do seu chefe, a menina não está bem da cabeça, “ela tentou se suicidar por três vezes. Esteve internada em hospitais psiquiátricos e nunca trabalhou em nenhum local”, falou.

Contestada durante a entrevista, a jovem confirmou que havia tentado se suicidar, “era muito trabalho para uma jovem da minha idade. Eles me pegavam às 03h, para ir aos locais e eu tinha a obrigação de contar às garrafas que os clientes consumiam, bem como fechar o caixa. Era um trabalho que durava quase uma manhã toda. Além disso, o que me enchia de frustração era o ambiente terrível que tinha que frequentar”, finalizou.  

A denúncia foi feita ao Ministério de Governo da Bolívia, onde ficou constatado de que seria uma briga familiar.

 

Fonte: Leonardo Cabral (Colaboração) 

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