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Mandetta agiu a favor de entidade que promoveu desvios em governo, denuncia empresário

14 janeiro 2021 - 10h25Por Top Midia News

O empresário Edson Torres afirmou, nesta quarta-feira (13), em depoimento no processo de impeachment do governador afastado Wilson Witzel  (PSC), que o ex-secretário de Saúde Edmar Santos desistiu de punir uma organização social após participar de uma reunião entre o representante da entidade, o advogado Roberto Bertholdo, e o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

As informações são da Folha de São Paulo e constam que a organização social mencionada é o Iabas (Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde), cujo contrato para montagem e gestão dos hospitais de campanha é um dos pivôs do processo de impeachment de Witzel.

Torres disse ainda que a organização social seria procurada para contribuir para a “caixinha da propina” da secretaria após participar dos esforços no combate à pandemia do novo coronavírus.

Réu confesso, Torres prestou depoimento ao Tribunal Especial Misto que julga o impeachment de Witzel. Ele afirmou ter sido informado por Pastor Everaldo, ex-presidente do PSC, que parte dos cerca de R$ 50 milhões recolhidos pelo esquema entre 2019 e início de 2020 teria como destino o governador afastado. 

Conforme a publicação, Torres disse que o Iabas não participava do esquema. Ele afirma que, após a contratação para a montagem e gestão dos hospitais de campanha, foi informado por Edmar que a entidade seria chamada a entrar no esquema de corrupção.

“Na época ficou acertado que iria conversar com o Iabas para uma possível participação de propina neste grande contrato. Logo depois eu adoeci e fiquei afastado. Quando voltei, tudo estava sendo falado pela imprensa”, disse o empresário.

O Iabas foi escolhido para o serviço a despeito de uma série de irregularidades cometidas na gestão de unidades de saúde no estado. Uma delas era o hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias.

As falhas foram tema, segundo o empresário, de uma conversa entre ele e Edmar no início de 2019. “No início de 2019, falávamos da incapacidade de gestão do Iabas no [Hospital] Adão Pereira Nunes, que seria necessário retirá-lo. Depois de 15 dias, Edmar voltou de uma reunião em Brasília com o [ex-]ministro Mandetta. Ele disse que lá, no gabinete do Mandetta, foi apresentado ao [Roberto] Bertholdo, e que pediu para poder fazer uma gestão para manter o Iabas”, disse Torres.

Procurado, Mandetta ainda não se manifestou sobre o suposto encontro. O espaço está aberto caso o ex-ministro queira se posicionar. 

As falhas

As falhas de gestão do Iabas no hospital também foram relatadas ao tribunal pela ex-subsecretária de Saúde Mariana Scárdua. Ela afirmou que foi exonerada do cargo, em março, após alertar sobre as falhas do Iabas quando foi firmado o contrato para os hospitais de campanha.

O Iabas já havia sido proibido pela Prefeitura do Rio de Janeiro de participar de licitações para gestão de unidades de saúde em razão de erros administrativos graves em contratos, gerando danos aos cofres públicos.

Ainda assim, a OS foi escolhida sem licitação para gerir sete hospitais de campanha inicialmente por R$ 835,8 milhões, a despeito do histórico de má gestão que a marcou no estado.

Em nota, o Iabas disse "que não tem conhecimento de qualquer negociação ilícita feita para favorecê-lo em qualquer circunstância. O instituto sempre se pautou pelo respeito às leis e à ética, executando seus serviços no município e no estado do Rio de Janeiro com absoluto respeito às suas obrigações contratuais e legais. Jamais praticou qualquer irregularidade. Não houve qualquer dano aos cofres públicos da Prefeitura do Rio e o Iabas contesta na Justiça os pagamentos devidos até hoje não realizados".

Witzel é acusado de ter responsabilidade nas fraudes para a contratação do Iabas. Após a identificação das falhas, ele afastou a entidade da gestão dos hospitais de campanha.

 

 

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