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A 20 km do centro da capital, Morro do Ernesto atrai pela natureza e pôr do sol

10 fevereiro 2017 - 12h07

Cachoeiras, trilhas, um pôr do sol de tirar o fôlego e o céu estrelado quando o tempo colabora são alguns dos atrativos do Morro do Ernesto, refúgio turístico que fica a cerca de 20 quilômetros do centro de Campo Grande, na fazenda Córrego Limpo, na região do Inferninho. A propriedade tem 960 hectares, cinco cachoeiras e um morro com vista pra serra de Maracaju, onde o sol se esconde no fim do dia.

O Morro do Ernesto é de fácil acesso e bastante frequentado por praticantes de parapente, amantes do ciclismo e de trilha, mas também recebe famílias e grupos de amigos que buscam aventura rápida e diversão econômica no fim de semana.

Apesar de ser propriedade particular, o local abre as portas para visitantes e não é preciso agendar o passeio. É só chegar, falar com o caseiro e preencher um cadastro rápido, com nome, telefone e endereço de email. Os responsáveis pelo local cobram uma taxa de contribuição no valor de R$ 10 por pessoa.

Acesso
A fazenda Córrego Limpo fica na saída para Rochedo. Se o ponto de partida for Campo Grande, é só seguir rumo ao Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran/MS) e virar à direita na primeira estrada em direção ao Inferninho, local bastante conhecido pela cachoeira e grupos de rapel. A estrada do Inferninho é a mesma que leva até o Morro do Ernesto.

Para quem gosta de trilha, a subida da entrada fazenda até o morro é um prato cheio. São cerca de 6 quilômetros de estrada de chão no meio da mata e a subida a pé leva uma hora.

As pedras são um obstáculo para carros de passeio e só veículos traçados conseguem subir, mas carros são raridade no local. O mais comum é ver grupos a pé com mochila nas costas ou turmas de pedal que aproveitam a aventura da subida.

Perto do céu
A vista do morro fascina quem chega até o topo. A vegetação em vários tons de verde e a proximidade com o céu dão sensação de liberdade. No fim da tarde, à esquerda, o sol se põe atrás da Serra de Maracaju, no oeste, enquanto no leste, a escuridão da noite começa a tomar conta do céu.

É nessa hora que os visitantes aproveitam pra tirar fotos do pôr do sol e apreciar a mistura de cores no céu. Depois que anoitece, a maioria dos visitantes se prepara para a descida e poucos se arriscam a acampar no local, já que não existe estrutura para alimentação nem comércios.

Os que se aventuram a pernoitar no topo do morro são recompensados com um céu estrelado quando o tempo ajuda e as nuvens não aparecem.

O único barulho que se ouve nessas horas é o da natureza. Grilos, vacas, vento e o rio, que de longe ecoa o som das cachoeiras. Vez ou outra é possível ouvir um latido de cachorro, mas a tranquilidade dura toda a noite.

No dia seguinte, o sol nasce também de trás dos morros vizinhos e junto com ele as araras barulhentas costumam dar o ar da graça.

Depois de pernoitar no topo, a pedida do dia seguinte é descer o morro em direção às cachoeiras, indicadas nas placas. No caminho, os visitantes encontram cabeças de gado e passam por algumas porteiras. Ao total são cinco quedas d'água na fazenda, algumas mais altas e com bastante pedra, outras mais rasas e mais calmas.

Seo Ernesto
O nome do morro é uma homenagem ao antigo dono da fazenda Córrego Limpo, seo Ernesto Campagna. Hélio Campagna, um dos filhos do homenageado, disse ao G1 que o topo do morro lembrava a careca do pai, por isso a brincadeira partiu de um grupo de asa delta.

"Como a frente do morro era bem limpa para o pessoal saltar de asa delta, eles batizaram de Morro do Ernesto porque meu pai era careca, típico de italiano, e o morro lembrava a careca dele", conta o filho orgulhoso.

Hélio lembra que a família foi morar no local em 1973 e a fazenda só foi vendida depois da morte do pai, em 2006. Seo Ernesto partiu e deixou um legado de amor e paixão pela natureza, além dos 11 filhos e muitos amigos. Foi Ernesto quem abriu as porteiras para os praticantes de parapente, os primeiros visitantes a explorarem as belezas naturais do local a partir de meados de 1985.

"Há muito tempo atrás, teve um rapaz que começou a pular de asa delta, foi o primeiro que pulou e começou a desbravar, a fazer subida. Na época não subia carro, nem tinha trilha, e ele começou a limpar, mexer e criaram até uma associação", lembra Hélio.

Mudança
A cerca de um ano e meio, a família decidiu vender a propriedade e os novos donos continuam de portas abertas para os visitantes, segundo o atual proprietário Gustavo Barcelos. A diferença é que, recentemente, uma taxa de contribuição começou a ser cobrada dos visitantes, com objetivo custear futuras melhorias na estrutura do local.

O valor de R$ 10 por pessoa e o controle de identificação dos visitantes são medidas para manter a organização e a preservação do local, garante Gustavo.

"A ideia é de melhoria, esse valor é um auxílio-benefício para futuramente melhorar a estrada, por exemplo, onde não se consegue subir de carro de passeio, e as trilhas e a sinalização também", explicou.

A fazenda foi comprada pensando na criação de gado e plantação de lavoura, mas a grande procura de visitantes está mudando o foco dos atuais proprietários, por isso, eles começaram a fazer um controle de pessoas a partir de um cadastro rápido feito por quem chega no local.

Ele comenta que o número de visitantes passa de 100 dependendo do fim de semana. Outro atrativo são competições de trilha e corrida realizadas dentro da fazenda e chegam a levar até 400 pessoas ao local de uma só vez.

"A terra ali é diferenciada, de qualidade forte, pensamos na criação de gado e futuramente lavoura, mas agora a gente está olhando como outros olhos o turismo. Como a gente cria gado, precisamos de um controle até para preservar o local, pra não ter lixo jogado, então, a gente criou meio que uma planilha, também para se precaver de algo que pudesse acontecer e para conhecer o perfil dos visitantes", justificou. (G1 MS)

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