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Dirceu 'teria persistido' em propina mesmo após deixar o governo, diz juiz

03 agosto 2015 - 13h33

Em despacho, Sérgio Moro justificou o pedido de prisão do ex-ministro.
Dirceu foi preso em Brasília na manhã desta segunda-feira (3).

 

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, escreveu no despacho de prisão de José Dirceu que o ex-ministro "teria insistido" em receber dinheiro de propina em contratos da Petrobras mesmo após ter deixado o governo, em 2005.
Dirceu foi preso na manhã desta segunda-feira (3), em Brasília, na 17ª fase da operação, deflagrada pela Polícia Federal. Ele deve ser levado na parte da tarde para a superintendência em Curitiba.

Trecho do despacho em que Moro solicita a prisão do ex-ministro José Dirceu (Foto: Reprodução)
No pedido de prisão, Moro afirma que as provas levantadas até agora na Lava Jato apontam que o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, também investigado, foi indicado para o cargo por influência de Dirceu. Uma das diretorias da estatal em que havia pagamento de propinas, segundo as investigações, era a de Serviços.
"As provas até o momento colhidas revelam que Renato de Souza Duque, o ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, teria sido nomeado ao seu posto por influência de José Dirceu e de associados deste e que, na divisão dos valores de propina dirigidos à Diretora de Serviços e Engenharia, parte caberia a José Dirceu e ao seu grupo.José Dirceu teria persistido em receber sua parcela, mesmo depois de ter deixado o cargo de Ministro da Casa Civil", escreveu Moro no despacho.

Segundo o juiz, os pagamentos a Dirceu foram confirmados por dois suspeitos de intermediar a propina no esquema: Júlio Camargo, executivo da Toyo Setal, e o lobista Milton Pascowitch. Ambos firmaram acordo de delação premiada para contar o que sabem em troca de abrandamento de eventuais penas.
Moro escreveu que, em um dos depoimentos, Camargo afirmou que repassou cerca de quatro milhões de reais da parcela de propina destinada à Diretoria de Serviços da Petrobras a José Dirceu. De acordo com o juiz, o delator não deu mais detalhes nessa ocasião.
Já Pascowitch, segundo relatou Moro, disse que intermediava o pagamento de propinas da empresa Engevix Engenharia à diretoria de Serviços. Pascowitch disse ainda, segundo o juiz, que intermediava também propina em contratos das empresas Hope (de recursos humanos) e Personal. No relato, Pascowitch afirmou que, em propinas dessas duas empresas, o grupo de Dirceu ganhava entre R$ 500 mil e R$ 800 mil mensais. O ex-ministro, ainda segundo Pascowitch, autorizou que R$ 30 mil fossem para seu irmão, Luís Eduardo de Oliveira e Silva, também preso nesta segunda.

 

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