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Encontro de fósseis de Corumbella e Cloudina no Porto, põe Ladário na rota da pesquisa internacional

04 abril 2017 - 13h20Por Assessoria de Comunicação PML
Pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), vem encontrando fósseis Corumbella e Cloudina no Porto de Ladário, despertando a confirmação de que o início da vida complexa foi preservado aqui na região, há 540 milhões de anos. Os pesquisadores também descobriram cinzas vulcânicas que denotam que a planície pantaneira, um dia, foi vulcanizada.
“Estamos no início da pesquisa ainda, serão feitos furos de sondagem para coletar material”, explicou o professor Ricardo Trindade, da Universidade de São Paulo (USP). Ele está em Ladário ao lado de um grupo de profissionais da universidade paulista, onde fizeram várias descobertas de relevância para a pesquisa internacional e para a história do planeta. 
“A intenção é detalhar quais as condições da terra quando as Corumbellas e Claudinas viviam”, disse Ricardo, ao afirmar que a pesquisa é um trabalho muito grande a ser desenvolvido na região. “É um projeto internacional que reúne geólogos, geofísicos, paleontólogos, químicos e biólogos do Brasil, França, Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e China”, explicou.
A extensão investigada pelos pesquisadores da USP nessa primeira incursão, vai desde o Porto de Ladário, até a Sobramil. Os pesquisadores estão estudando os fósseis e os traços químicos deixados em rochas do Brasil, da África e da China, durante a grande transição biológica que deu origem aos animais.
Ladário, segundo a pesquisa, é um dos poucos pontos no mundo que tem essas ocorrências fósseis e de cinzas vulcânicas, por isso, foram coletados materiais em pontos estratégicos, e o encontro desse tesouro, coloca o município no cenário internacional da pesquisa. As descobertas devem chamar a atenção de pesquisadores do mundo todo para o município da fronteira oeste brasileira, que tem 22 mil habitantes e está completamente dentro do Pantanal.
Ricardo Trindade escreveu: “As barrancas do Rio Paraguai entre Ladário e Corumbá podem guardar a resposta para um dos maiores mistérios da Ciência - o rápido aparecimento dos seres complexos. Pelos fósseis, sabemos que as primeiras formas de vida no planeta Terra eram pequenas e simples bactérias, seres unicelulares. Mas a partir de um certo momento da história do planeta surgem os serem pluricelulares, que depois vão dar origem a toda a fauna e flora complexa que conhecemos, inclusive a nós, os seres humanos. Quando e por que este salto evolutivo aconteceu? Não sabemos e há poucos lugares no mundo onde podemos procurar a resposta. Um deles é aqui, em Ladário e Corumbá”.
O texto do pesquisador traz à tona toda a complexidade, expectativa e esperança de se desvendar um dos maiores mistérios que envolvem a humanidade, a origem e evolução da vida. O interessante é que tudo sempre esteve guardado nas rochas, nos paredões que espelham o rio Paraguai. Lugares onde muita gente já passou, que serviu de cenário para muitas fotografias e filmagens e que nuca escondeu esse tesouro magnífico da pesquisa, que só agora, vem sendo desvendado por profissionais que poderão contar uma história muito longínqua, distante, mas importante para a raça humana.

 

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