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Com arma apontada para a cabeça, ladarense é vítima de ataque homofóbico em bairro da Capital

04 julho 2016 - 19h02

O ladarense André Luiz Oliveira dos Santos, de 23 anos, foi vítima de ataque homofóbico, na noite deste domingo, 03 de julho. O caso aconteceu, por volta das 21h, no bairro Tiradentes, localizado em Campo Grande, onde o jovem vive há cinco anos e é acadêmico do curso de Direito. Além dele, um amigo, identificado como Wilton Rojas, que é graduado em jornalismo, e o acompanhava, também sofreu violência física e verbal.

De acordo com os relatos de André, ele e seu amigo estavam fazendo um lanche, pelas proximidades do bairro, quando tiveram a ideia de visitar outros amigos, que moravam ali perto.

Porém, ao retornar para a casa do Wilton, eles estavam caminhando pela rua, quando avistaram um grupo de jovens, com aproximadamente sete integrantes, que estavam em um veículo, Pick up, de cor branca, e que, provavelmente estavam embriagados.

“Ao avistar esse grupo, logo percebi que eles não estavam com boas intensões, foi quando avisei ao meu amigo, que ao passar por eles, e se mexessem, não iriamos revidar qualquer provocação, e seguiríamos o nosso trajeto normalmente. Mas não foi o que aconteceu”, contou ao Corumbá Agora o acadêmico André.

Ao passarem pelo grupo, alguns integrantes perceberam que as vítimas eram homossexuais, e começaram a perturbar, com palavras, como “Olha, são veados, pega eles”.

“Quando escutamos, falei para meu amigo apenas correr, mas como eles estavam de carro, mesmo com a rua estreita, deram o balão no final dela, aceleraram o veículo e retornaram. Mas infelizmente nesse momento, meu amigo sofreu uma queda, e eles se aproximaram e desceram do carro, apontando uma arma de fogo na cabeça dele e o agrediram com chutes. Quando percebi, fiquei assustado e comecei a gritar por ajuda”, contou o ladarense.

“Uma senhora que estava fazendo um lanche, escutou o pedido de socorro e gritou que iria chamar a polícia. Além do meu amigo, que neste momento foi agredido, eles se aproximaram perto de mim e também colocaram a arma na minha cabeça, com dizeres “... vou ensinar a você a ser homem, fala que é veado na minha frente...”. Foi uma situação aterrorizante. Nunca imaginei passar por isso”, disse André.  

Além da senhora, outra pessoa que mora em um residencial nas proximidades, abriu a janela do seu apartamento e disse que ligaria para a polícia. Ao escutarem, os jovens saíram correndo e o André e Wilton, se esconderam atrás de uma árvore.

Indignação

Após muita tensão, de imediato, eles acionaram a Polícia, que chegou ao local. Realizaram buscas, mas os jovens não foram encontrados.

Para as vítimas, os policiais aconselharam que eles registrassem o Boletim de Ocorrência.

“Os policiais foram atenciosos. Mas o que me revolta é saber que ao registrar o BO, somente será registrado como ameaça, tentativa de agressão ou injuria, já que homofobia não é crime em no Brasil. Não é possível que a nossa identidade sexual ainda nos criminaliza. Somos pessoas, humanos, merecemos respeito. Eles não podem ficar impune”, mencionou o jovem.

André Luiz saiu de Ladário, para estudar. Hoje, ele trabalha em escritório jurídico e garantiu que assim, que se formar, retornará para Ladário, onde atuará em sua área.

“Eu que sou operador do direito, estou desesperançoso, nos vemos sem resguardo nenhum, sem segurança e por motivo tão banal, ainda existem pessoas que queiram resolver, ou pensam que resolvem, tudo na base da agressão. Essa situação tem que acabar”, pediu André.  

 

Fonte: Leonardo Cabral (colaboração) 

 

 

 

 

 

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