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Alerta: Mulheres desempregadas podem desenvolver Transtorno Mental Comum, diz pesquisa realizada em Corumbá

27 julho 2016 - 14h32

Levantar cedo, com a pasta debaixo do braço, onde nela encontra-se o curriculum e até mesmo os documentos pessoais, é na maioria das vezes, a rotina daquelas pessoas que saem em busca de um lugar no mercado de trabalho. Porém, essa busca constante da tão sonhada vaga de emprego, acaba gerando certo desespero quando o “não” prevalece, ocasionando por vezes o aparecimento de sofrimento psíquico e agravos à saúde mental das pessoas, em sua maioria as mulheres.

Uma pesquisa realizada entre 2013 e 2016, mostrou essa dura realidade enfrentada por algumas mulheres de Corumbá e também Campo Grande, a qual verificou a prevalência de Transtorno Mental Comum (TMC) em mulheres que se encontravam em busca de emprego, estando em situação de desemprego aberto ou desemprego oculto por trabalho precário (informalidade).

Segundo a coordenadora da pesquisa, professora Vanessa Catherina Neumann Figueiredo, que atua no curso de Psicologia e nos mestrados em Educação e em Estudos Fronteiriços da UFMS, Câmpus do Pantanal, o objetivo do estudo foi averiguar a associação entre o tempo de desemprego e a frequência de TMC, colocando em evidência o sofrimento psíquico e social decorrente do problema social do lugar no mercado de trabalho.

Para a pesquisa, participaram mulheres desempregadas ou que trabalhavam em empregos informais que estavam cadastradas nos Centros de Atendimento Integral ao Trabalhador (CIAT´s), hoje Casa do Trabalhador, sendo a participação e autorização dessas instituições extremamente importante para a realização da pesquisa.

Foram entrevistadas 193 mulheres em Corumbá e 200 na Capital (total de 393 participantes), sendo 57% solteiras, 43% com idade variando entre 18 e 25 anos e 61,1% com filhos.

“O que chama a atenção são poucas pesquisas realizadas para o público feminino, ainda mais as para aquelas que estão desempregadas. Na verdade, acredito que o desenvolvimento do Transtorno Mental Comum está muito relacionado com o fato de que quando a pessoa está desempregada perde sua identidade e não é reconhecida como trabalhadora, já que a sociedade julga a partir do que você faz enquanto profissão e também do seu poder de compra”, falou a professora Vanessa Catherina.

Em Corumbá, verificou-se que 43,9% se encontravam em desemprego aberto e 56,1% em desemprego oculto, apesar de 85,4% terem dito possuir alguma qualificação profissional.

“O fenômeno do desemprego tem efeitos psíquicos e sociais, gerando sofrimento, dificuldade em se relacionar, vergonha por não poder contribuir financeiramente em casa, e conforme vai passando o tempo vai causando desânimo em continuar procurando um emprego estável, fazendo com que muitas acabem aceitando um trabalho informal ou “bico”, o que faz parte da dinâmica que existe no mercado de trabalho hoje em dia, e que afeta mais às mulheres, podendo decorrer no desenvolvimento do TMC entre nós mulheres”, explicou a professora Vanessa.

O que mais chama a atenção

Conforme a coordenadora da pesquisa, o fator que mais chamou a atenção foi o número de mulheres que começaram a trabalhar até os 16 anos. “Esse fator é preocupante, pois o fato de começar cedo no mercado de trabalho implica geralmente na diminuição da escolaridade, já que a maioria não consegue conciliar estudo com trabalho, ou seja, com o passar do tempo elas não conseguem mais se inserir no mercado nas melhores vagas, que são os empregos estáveis e com benefícios, encontrando dificuldade para a reinserção, já que para o mercado de trabalho exige cada vez mais uma maior escolaridade e capacitação”, disse Vanessa.

Em Corumbá, 29,3% das entrevistadas que começaram a trabalhar antes dos 14 anos apresentaram ensino fundamental incompleto ou não eram alfabetizadas, 4,9% ensino superior, e 64,1% tiveram que parar de estudar para trabalhar.

Entre as que entraram no mercado entre os 14 e os 16 anos, 25,5% apresentaram ensino fundamental incompleto ou não eram alfabetizadas, 13,7% ensino superior, e 66,7% tiveram que parar de estudar para trabalhar.

Os principais obstáculos relatados para a reinserção no mercado de trabalho foram à falta de estudo, de emprego, de experiência, a capacitação inadequada e o fato de ser mulher.

Entre as entrevistadas de Corumbá, 24,2% apresentaram TMC, e 75,4% se sentem inseguras, 57% estressadas, 73,2% envergonhadas, 77,4% tristes, 67,9% ansiosas, 64,2% com medo de não conseguir emprego, 63,2% desanimadas, 51,1% angustiadas.

“Os números apresentados nos levam a entender a relação entre sofrimento psíquico e o desemprego enfrentado pelas mulheres, o que acaba sendo um aviso para o desenvolvimento do Transtorno Mental Comum (TMC)”, finaliza a professora.

Contribuíram para a pesquisa a psicóloga Renata Camargo de Souza Veron Esnarriaga, formada pela UFMS/CPAN; as acadêmicas de Psicologia Fatima Taher Asrieh, bolsista de iniciação científica, Edinara Anderson Affeldt, Bruna Rodrigues do Nascimento, Veridianna Queiroz, Alana Valério Casagrande e Adriane Vargas Barbosa; e os mestrandos Pamela Arruda Vasconcellos, Maria Rita Ferreira, Marcio Alexandre da Silva e Eiza Nádila Bassoli. A pesquisa contou também com os professores Wilson de Mello, Luís Fernando Galvão, Pablo Cardoso e Ilídio Roda Neves e com reflexões realizadas pelo grupo de pesquisa “Saúde mental e trabalho na fronteira”. O projeto teve o financiamento da FUNDECT/CNPq N° 05/2011.

 

Fonte: Leonardo Cabral (colaboração) 

 

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