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Em oficina no Moinho, teatrólogo aplica a descolonização do corpo

07 fevereiro 2017 - 13h53

O teatrólogo e escritor boliviano Iván Nogales coordena a oficina “Descolonização do corpo” nesta segunda e terça-feira no Instituto Moinho Cultural. Linhas gerais da oficina estão condensados em três livros lançados por Nogales neste domingo, durante roda de conversa no Espaço Motirô, no Moinho, com representantes do teatro, artes plásticas e visuais, dança, música, assistência social e comunicação de Corumbá.

Nogales dirige a Fundacion Compa, uma das mais atuantes da América do Sul, com sede em El Alto, cidade andina ao lado de La Paz, em um trabalho que envolve crianças, adolescentes e jovens. Em 1989 ele fundou o Teatro Trono, o grupo de teatro boliviano com maior projeção internacional, com extenso diálogo e comunicação cultural com o exterior.

A proposta de Nogales para os povos da América do Sul tem muito a ver com o conceito do poeta e ativista sul-africano Mia Couto sobre a descolonização na questão do continente africano. “Uma coisa é a independência, e outra a descolonização. A descolonização do pensamento ainda não ocorreu. Olhamos para a África com valores europeus. É preciso uma ruptura para mudar a situação”, diz o poeta.

A ideia de Nogales se encaixa no objetivo do Instituto Moinho Cultural na integração cultural dos povos sul-americanos. Márcia Rolon, fundadora do Moinho, conheceu Iván Nogales há 13 anos em La Paz e ficou admirada por seu trabalho. “Ivan foi uma pessoa que fortaleceu a ideia de fazer o Moinho integrado com a Bolívia. Queremos fazer com que Corumbá seja um centro sul-americano, fazendo essa ponte, para que nossa cidade seja um laboratório, com troca de experiências”, destacou Márcia.

Iván Nogales propõe um teatro para a comunidade. “Não queremos um teatro muito separado da gente. Por isso fazemos um teatro comunitário, pouco a pouco chegamos a esse conceito de descolonização do corpo. Quando chegaram os colonizadores foi uma época muito difícil, de genocídios e negação das culturas. Agora tentamos superar esses códigos coloniais. Lamentavelmente não conseguimos superar as colônias. Estamos vivendo hoje colônias muito mais duras. Vivemos culturas do medo”, afirmou.

Em seu livro La Descolonización del Cuerpo, Nogales diz: “Apesar do tempo, das constituições republicanas e dos discursos, o inimigo principal do corpo hoje segue sendo a Colônia: uma máquina de planar que passa a repassar sobre nós, recordando-nos a cada dia nossa condição de pessoas inferiores e historicamente negadas”.

Colônia, conforme descrito por Nogales, significa toda forma de uso e abuso do outro ou toda forma de usurpação dos domínios do outro, do espaço, do tempo e da energia do outro. “É por isso que descolonização do corpo é uma tarefa de altíssimo interesse estratégico’, diz.

Em El Alto, Iván mora na casa que pertenceu ao pai dele, Indalecio Nogales, um dos membros da guerrilha boliviana de Teoponte, que defendeu os ideais de Che Guevara após a morte do revolucionário. (Nelson Urt/Navepress)

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