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Pandemia amplia vulnerabilidades de surdos, diz secretária

26 setembro 2020 - 11h30Por Agencia Brasil

A pandemia de covid-19 elevou e expôs as vulnerabilidades que os surdos enfrentam, segundo a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Priscilla Gaspar. “Antes, os surdos já enfrentavam dificuldades mesmo cobrando nas esferas municipal, estadual ou federal a atenção em relação às políticas públicas. Nós levamos um susto e vimos mais ainda as necessidades dessas pessoas”, diz a secretária, que é a primeira surda a chegar a um cargo de alto escalão no Executivo. Ela, que é uma das 28 pessoas com surdez na família, entende que a falta de informações para esse público causa impacto em diferentes espaços. 

Uma das providências tomadas pela secretaria foi criar cartilhas para colaborar com a informação de pessoas surdas em relação à covid-19. Para a secretária, a principal questão durante a pandemia era o acesso às informações de primeira necessidade, nas áreas de saúde e também da educação. “Como as pessoas acometidas pelo vírus serão recebidas nos hospitais? Como o surdo vai se comunicar com o médico? Ou na educação, como as pessoas vão acompanhar aulas a distância, em casa. Muitas famílias são vulneráveis. Todas essas questões nos preocupam bastante”, afirma. Para ela, a atenção deve ser ainda maior nesse momento em relação às políticas públicas. Em relação ao período, há uma preocupação extra em relação ao pós-pandemia. “Nós precisamos estar ainda mais atentos a esses grupos. A atenção precisa ser ainda maior”.

Para Priscilla Gaspar, as legislações que garantem os direitos existem, mas precisam ser cumpridas em diferentes esferas pela sociedade. “A Lei Brasileira de Inclusão demorou 15 anos para que fosse reconhecida e regulamentada (em 2015). O maior desafio é a sociedade conhecer e respeitar a legislação”.

Sobre a entrevista

A entrevista foi realizada por videoconferência com a participação da intérprete e tradutora Dânnia Vasconcellos. A conversa é apresentada a seguir no modelo de perguntas e respostas. O português é o segundo idioma para os surdos e, apesar de não ser ser capaz de reproduzir, por exemplo, o sinal que os identifica em Libras, o texto escrito permite que mais pessoas com alguma deficiência tenham acesso ao conteúdo. Além disso, o site da Agência Brasil disponibiliza a ferramenta VLibras, que simula as letras e expressões em Libras por meio de um avatar para traduzir determinados vocabulários menos comuns aos surdos.

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Agência Brasil - O respeito à legislação de proteção às pessoas com deficiência é um dos maiores desafios desse momento?

Priscilla Gaspar - Para vocês terem uma ideia, a Lei Brasileira de Inclusão demorou 15 anos para que fosse reconhecida e regulamentada. Foi muito tempo e já está aí em vigor há cinco anos em nosso país. É muito pouco tempo. Mas é preciso fazer com que a sociedade conheça o texto da lei que está ali com questões relacionadas a pessoas com deficiência em diferentes dimensões, como a área de educação, do desporto, da empregabilidade e outros setores. Vamos dizer que hoje as as pessoas com deficiência precisam de maior protagonismo e oportunidades no mercado de trabalho e nos espaços de educação, por exemplo,

Agência Brasil - Datas relacionadas à conscientização sobre o Dia Nacional do Surdo ajudam na visibilidade dessas questões?

Priscilla Gaspar - Com certeza porque essas datas são marcos comemorados anualmente. Uma oportunidade de conscientização para pensar também nas conquistas, avanços e também reflexões sobre o que falta. Nós, que trabalhamos no governo federal, lançamos uma campanha muito interessante, com o nome de #eurespeito.  Foi lançada para que qualquer pessoa possa fazer seu vídeo e colocar nas redes sociais por exemplo. A campanha ajuda na conscientização e empatia porque, na verdade, aqui no Brasil temos muitas leis que protegem os direitos das pessoas com deficiência, mas poucos conhecem.

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