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Guerra do Estado contra o PCC só fez a facção crescer, diz pesquisador

27 janeiro 2020 - 09h00Por Campo Grande News

“Não adianta querer, tem que ser, tem que pá/ O mundo é diferente da ponte pra cá”, parte da letra da música “Da ponte pra cá”, do grupo de rap brasileiro, Racionais Mc’s é mais ou menos o que o professor do Departamento de Sociologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e autor de um dos livros mais inovadores sobre o PCC (Primeiro Comando da Capital), Gabriel Feltran, explica sobre o sistema de “lideranças” na maior facção brasileira, se é que podemos falar em líder.

Gabriel é autor do livro “Irmãos: uma história do PCC” (Companhia das Letras). Ao Campo Grande News, contando a história dessa facção, a corrida sem sucesso do Estado para desmontá-la e a fuga em massa recente, ele sustenta que a estrutura do Estado, seja no Brasil ou no Paraguai, está anos luz de entender o PCC. Na avaliação dele, não estamos assim tão melhores que o país vizinho de onde fugiram, na madrugada do último domingo (19), da Penitenciária de Pedro Juan Caballero, 76 presos do PCC.

Quem abaixa o crime é o PCC – O livro é resultado de um trabalho que Gabriel começou ainda no ano de 2000, nas favelas de São Paulo. Ali ele entendeu que os “tribunais” internos do submundo do crime tinham organização e eram responsáveis, inclusive, por derrubarem as taxas de homicídio nos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

“Quando comecei a conhecer melhor outros lugares e a trocar informações com outros pesquisadores do tema, mas também com artistas de samba, rap, pagode, funk, fui me dando conta de que era algo muito maior. Muito mais amplo, que estava em todas as favelas do estado de São Paulo. Daí me dei conta que, nas estatísticas, essa redução era notável. Havia dez vezes menos homicídios nas favelas em 2010, comparado ao ano de 2000, época em que as curvas atingiram seu pico. Ainda hoje, São Paulo tem as menores taxas de homicídios por 100 mil habitantes do País, menos de 10/100 mil. Mato Grosso do Sul e Paraná, estados também fortes do PCC, têm também taxas bem reduzidas” diz.

O PCC se mostra ao mundo – “Paz, Justiça e Liberdade”, essa faixa que apareceu escrita no chão de terra do campo de futebol no complexo penitenciário do Carandiru, e em outros presídios do Estado de São Paulo, em fevereiro de 2001, mostra o que o Estado tentou esconder até então. O PCC havia chegado para nunca mais sair.

Este é um dos lemas, ainda que alterado com o tempo, dessa organização que não é o que dizem dela: o que Gabriel explica é que o PCC pode ter armas que nem o exército tem, pode ter até soldados e tem negócios com cifras bilionárias (legais e ilegais), mas não é empresa e nem milícia. É uma fraternidade secreta. Com estatuto próprio, o objetivo é melhorar a vida dos “irmãos” e nasceu da revolta com a opressão estatal nos presídios.

“Não adianta querer, tem que ser, tem que pá/ O mundo é diferente da ponte pra cá”, parte da letra da música “Da ponte pra cá”, do grupo de rap brasileiro, Racionais Mc’s é mais ou menos o que o professor do Departamento de Sociologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e autor de um dos livros mais inovadores sobre o PCC (Primeiro Comando da Capital), Gabriel Feltran, explica sobre o sistema de “lideranças” na maior facção brasileira, se é que podemos falar em líder.

Gabriel é autor do livro “Irmãos: uma história do PCC” (Companhia das Letras). Ao Campo Grande News, contando a história dessa facção, a corrida sem sucesso do Estado para desmontá-la e a fuga em massa recente, ele sustenta que a estrutura do Estado, seja no Brasil ou no Paraguai, está anos luz de entender o PCC. Na avaliação dele, não estamos assim tão melhores que o país vizinho de onde fugiram, na madrugada do último domingo (19), da Penitenciária de Pedro Juan Caballero, 76 presos do PCC.

Quem abaixa o crime é o PCC – O livro é resultado de um trabalho que Gabriel começou ainda no ano de 2000, nas favelas de São Paulo. Ali ele entendeu que os “tribunais” internos do submundo do crime tinham organização e eram responsáveis, inclusive, por derrubarem as taxas de homicídio nos Estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

“Quando comecei a conhecer melhor outros lugares e a trocar informações com outros pesquisadores do tema, mas também com artistas de samba, rap, pagode, funk, fui me dando conta de que era algo muito maior. Muito mais amplo, que estava em todas as favelas do estado de São Paulo. Daí me dei conta que, nas estatísticas, essa redução era notável. Havia dez vezes menos homicídios nas favelas em 2010, comparado ao ano de 2000, época em que as curvas atingiram seu pico. Ainda hoje, São Paulo tem as menores taxas de homicídios por 100 mil habitantes do País, menos de 10/100 mil. Mato Grosso do Sul e Paraná, estados também fortes do PCC, têm também taxas bem reduzidas” diz.

O PCC se mostra ao mundo – “Paz, Justiça e Liberdade”, essa faixa que apareceu escrita no chão de terra do campo de futebol no complexo penitenciário do Carandiru, e em outros presídios do Estado de São Paulo, em fevereiro de 2001, mostra o que o Estado tentou esconder até então. O PCC havia chegado para nunca mais sair.

Este é um dos lemas, ainda que alterado com o tempo, dessa organização que não é o que dizem dela: o que Gabriel explica é que o PCC pode ter armas que nem o exército tem, pode ter até soldados e tem negócios com cifras bilionárias (legais e ilegais), mas não é empresa e nem milícia. É uma fraternidade secreta. Com estatuto próprio, o objetivo é melhorar a vida dos “irmãos” e nasceu da revolta com a opressão estatal nos presídios.“Todas [facções] nascem do mesmo lugar: dentro das instituições estatais. A diferença é que, em São Paulo, na virada para os anos 1990 (o Massacre do Carandiru foi em 1992), havia uma política de matar bandido, achando que iria melhorar a segurança. Foram as mais altas taxas de letalidade da história, a polícia matava 1500 pessoas por ano nessa época, no estado. Ali aprendemos que essa política, além de ser absurda numa democracia, não é efetiva – o resultado dela foi o fortalecimento do PCC”, afirma.

Gabriel explica que a partir de 2001, muitos conflitos internos e mortes de lideranças deram forma ao que hoje ele chama de fraternidade secreta. “A tendência vencedora propunha o modelo de sociedade secreta, de fraternidade, que vai se consolidar dali para frente”, comenta.

“O modelo que uso para entender a forma de organização do PCC é a das fraternidades secretas, como a maçonaria, por exemplo. Nessa organizações não se confunde economia e política, e não há mando interno. Eu posso ter negócios milionários com droga, mas isso não me faz ser considerado como alguém acima de uma pessoa que não tem muitas posses, mas que tem muito respeito entre os ladrões”, esclarece.

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