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Neo-ruralismo do MST atrai novos adeptos

03 agosto 2015 - 14h09

Acampamento Dom Tomas Balduíno, em Corumbá, reúne famílias que procuram no retorno à terra suas origens e novo modo de vida

Um novo êxodo pode estar em marcha no Brasil: da cidade para o campo. Na Europa, um forte movimento de volta ao campo emergiu na Grécia, como contraponto à violenta crise financeira. Na França, setores da intelectualidade, como o autor francês, Bernard Farinelli, diz que “viver no campo já não é mais um tabu como era décadas atrás. Existem até escritórios especializados para assessorar candidatos a saírem das cidades”.

Em Goiás, o acampamento Dom Tomas Balduíno, localizado no município de Corumbá, pode estar processando este tipo de experiência. Mais de 2 mil famílias estão cadastradas buscando uma gleba numa área de 23 mil hectares, cuja posse está no nome do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). A reportagem do Diário da Manhã encontrou com acampados cuja origem são cidades da Região Metropolitana de Goiânia, como Inhumas, Trindade, Goianira, Aparecida, Senador Canedo e da própria capital, e também famílias de outras regiões e de outros Estados. Cada um com uma história e uma esperança como Luciene Ferreira, de Trindade. Ela, o marido e um casal de filhos querem uma gleba de terra para “viver como fui criada, na fazenda de meu pai em Trindade, plantando, cuidando de galinhas, porcos, tendo fartura na mesa e paz de espírito”, frisa.

De Nerópolis, José Duarte veio com seis filhos e diz que está animado. Acredita na organização do acampamento e aposta na lavoura de jiló e milho que plantou. “A cidade tá violenta demais. Acho que é mais fácil criar os filhos aqui, lutando com a gente, trabalhando com a gente, do que deixar largado na rua aprendendo o que não presta”.

Ontem os líderes dos 22 núcleos que compõem o acampamento Dom Tomas Balduíno fizeram 10 mil pamonhas, num evento que teve dois sentidos. O primeiro, mostrar a capacidade de organização dos acampados, tanto na produção do milho, plantado no local, quanto num ritual de volta às raízes. Fazer pamonha é um dos rituais mais tradicionais do povo goiano. Apanhar o milho, cortar as espigas, selecionar a palha, catar os cabelos, fazer braseiros, ralar o milho, temperar a massa e amarrar a pamonha são tarefas que os filhos de Goiás criados na roça aprendem muito cedo. E foi com muita animação que Orcílio Neto, o “Petezinho”, acordou às 4h30 da manhã para mobilizar os 82 acampados do núcleo Professor Darci Accorsi, para a tarefa de produzir 500 pamonhas. “Cada um dos 22 núcleos tinha que atingir esta quantidade de 500 pamonhas para dar conta da meta de 10 mil pamonhas”, afirma. Luciene Ferreira, do núcleo Terra Nossa, que reúne 198 famílias, superou o objetivo amarrando 800 pamonhas. “Lembrei os tempos de criança, na roça, quando meus pais chamavam os vizinhos para fazer pamonha. Se Deus quiser, vamos realizar o sonho da terra e criar meus filhos deste jeito”, relata.

 

Discurso e luta

O novo discurso do MST (Movimento dos Sem Terra) parece ser um atrativo para o neo-ruralismo. Mais que um discurso de doutrinação ideológica, os líderes do movimento dialogam com os acampados sobre a função social da terra, a necessidade de uma nova agricultra livre de agrotóxicos e que proteja o meio ambiente. Um dos coordenadores do MST em Goiás, José Valdir Misnerovicz, diz que o objetivo central é “transformar o latifúndio Fazenda Santa Mônica num assentamento para que 2 mil famílias levem uma vida saudável e produzam alimentos saudáveis para quem vive na cidade.

Misnerovicz ressalta que a ocupação na Agropecuária Santa Mônica teve início em outubro de 2014, que a área é considerada improdutiva, fruto de transações ainda não esclarecidas pelo senador da República. “Até hoje é pendente de explicações a forma de como ele conseguiu acabar com as pequenas propriedades que existiam e formar esse imenso latifúndio”, frisa.

Cleiton Freitas, da assessoria jurídica do MST, espera que seja feita justiça. Informa que o Superior Tribunal de Justiça reconhece que as ocupações de terra no Brasil constituem uma luta legítima do povo para o acesso à terra. O MST protocolou recurso no Tribunal de Justiça de Goiás para suspender os efeitos da sentença de reintegração de posse proferida pelo juiz de Corumbá. “O Tribunal de Justiça aguarda despacho do juiz para se manifestar. Esperamos que haja sensibilidade e que seja feita justiça com a destinação da terra ao seu fim social, que é a produção com assentamento de famílias’, resume.

O ato político em defesa da reforma agrária e da desapropriação da Agropecuária Santa Mônica, em Corumbá (GO), contou com a presença do dirigente nacional do MST, João Pedro Stedile, e do presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, dom Guilherme Werlang. Os deputados Rubens Otoni e Mauro Rubem, do PT, prestigiaram o ato. A deputada estadual Adriana Accorsi foi representada pela sua equipe na pessoa da chefe de gabinete, Ludmila Barreto. A direção do PSol compareceu em peso, com os professores Pantaleão, Fernando Leite e Henrique Lemos.

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